

… A sociedade está perdendo rapidamente o senso da eternidade; e uma das razões para isso é que nós, crentes, não estamos vivendo com a eternidade em nossa mente. Não estamos trabalhando sob a luz da eternidade, nem vivendo no gozo e na antecipação da eternidade. Estamos tão destituídos do senso de eternidade quanto o mundo ao nosso redor. Nós a cantamos em nossos hinos, falamos sobre ela em nossas orações, ouvimos a seu respeito nos sermões, mas ela não está em nossa alma; a eternidade não faz parte da urdidura e da trama de nossa vida.
Eu creio que necessitamos de avivamento nacional proveniente do Espírito Santo, porque o avivamento sempre coloca de volta a eternidade na mente dos homens e das mulheres. No avivamento, podemos pregar sobre a morte, e as pessoas a sentirão; podemos pregar sobre o inferno, e as pessoas o sentirão. Precisamos conhecer a presença de Deus no avivamento.
Eis a descrição de acontecimentos que se deram em Comber, uma pequena cidade que dista quinze quilômetros de Belfast, quando Deus varreu Ulster em 1859.
“Toda a cidade e os arredores marcaram aquelas palavras; toda a cidade e os arredores foram despertados. Muitos não descansaram de maneira alguma na primeira noite, e durante vários dias grande número de pessoas foi incapaz de realizar seus deveres habituais e se dedicaram quase incessantemente ao estudo das Escrituras, a cantar e a orar; e, no primeiro mês, com apenas três exceções, dentre elas, eu mesmo, o pregador que estou relatando, não conseguiram ir para cama antes do amanhecer.”
Observem que toda a cidade e os arredores estavam cônscios da eternidade. Quando Deus se manifesta através de um avivamento, mesmo aqueles que não são convertidos são tocados e se tornam cientes da eternidade.
O avivamento é uma conscientização da presença de Deus. Em Herrnhut, região do Conde Zinzenorf, no verão de 1727, Deus se manifestou repentinamente entre aquele pequeno grupo de refugiados; e lemos que entre eles houve “um senso da proximidade de Cristo”. Em Pion Giang, na Coréia do Norte, em 1907, “a sala ficou repleta da presença de Deus’. Em Yarmouth, na costa leste da Inglaterra, em 1921, o jornal Yarmouth and Gorleston Times relatou no dia 10 de novembro: “Deus se tornou bastante próximo”. Quando foi que o jornal de sua cidade veiculou palavras como estas?
Uma das principais características do avivamento é um solene temor. Em Cambuslang, na Escócia, somos informados sobre “a glória espiritual desta solenidade”; e, novamente, em 1934, em Lewis: “A solenidade destes cultos inspirava temor”. Robert M. M’Cheyne escreveu a respeito de uma reunião na igreja, em Dundee, em 1839: “Todos os ouvintes se encontravam curvados para frente, em uma postura de atenção extasiada”. R. B. Jones, no país de Gales, em 1904, falou sobre “todo o lugar sentir-se reverente pela glória de Deus”. Essas experiências, os homens e as mulheres nunca esquecem, mesmo que não sejam convertidos. Repentinamente, eles são alertados em relação à eternidade e ao inferno.
Aviva a Tua Obra, ó Senhor!
Portanto, o que desejamos muito em nossa nação, quando oramos por um avivamento? Com certeza, não anelamos pela vindicação de nossa igreja, de nossa denominação ou de nossa teologia. Desejamos muito que Deus restaure aquele senso da eternidade, o senso que progressiva, sistemática e sucessivamente temos removido de nossa mente. Oramos por aquilo a respeito do que o profeta Ezequiel falou: “E eis que, do caminho do oriente, vinha a glória do Deus de Israel; a sua voz era como o ruído de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória”. Precisamos que a voz de Deus seja ouvida, para que a glória de Cristo seja vista em seu povo e que a eternidade seja trazida de volta à mente e ao coração dos homens. Anelamos ver Jesus Cristo sendo honrado, amado e exaltado em nossos dias.
Como crentes, precisamos lembrar: tudo que fazemos é feito à luz da eternidade. Pregamos, pensamos, trabalhamos e evangelizamos à luz da eternidade. Nos deitamos à noite e acordamos no outro dia à luz da eternidade. E, quando Deus colocar de volta a eternidade em nossa mente e em nosso coração, isso pode começar a despertar toda a nação que nos cerca.
Devemos orar para que Deus se agrade em abrir os céus e derramar seu Espírito em um avivamento; pois somente então a eternidade estará de volta à agenda e o povo saberá que existe um Deus. Ainda que nem todos serão salvos, todos conhecerão a eternidade e saberão que Deus é real. Que esta seja a nossa realidade nesse novo milênio!