Como Ler os Salmos – Samuel Whitefield

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Os Graciosos Lábios de Cristo, por C. H. Spurgeon
agosto 23, 2017
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Como Ler os Salmos – Samuel Whitefield

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   O livro dos Salmos é uma mina de ouro. Ele é um livro profético (At 2:30); é um livro de canções e um livro de oração. Ele é cru e emocional. Contém as mais profundas expressões de dor, desesperança e desespero e as maiores expressões de louvor. Não importa onde um salmo comece, os Salmos terminam com um profundo sentimento de esperança e confiança na fidelidade de Deus.

Por causa de sua profundidade, é importante saber como ler os Salmos para que consigamos extrair mais deles. Para apreciar plenamente os Salmos, devemos lê-los de acordo com quatro perspectivas. Nem todos eles contém essas quatro perspectivas, mas um número surpreendente tem e praticamente todos podem ser lidos em mais de uma dessas perspectivas. Se você usar estas diferentes perspectivas em sua leitura dos Salmos, sua leitura alcançará um novo nível de profundidade. Vamos à elas:

1 – Como o Salmo é Aplicado ao Autor

A primeira perspectiva é a do autor. Quando lemos um salmo, devemos perguntar como ele é aplicado pessoalmente ao autor. Muitos dos Salmos tiveram uma aplicação imediata para o autor que os escreveu. A inscrição que nomeia o autor dos Salmos bem como outros recursos que nos dizem quando um salmo foi escrito podem nos ajudar a compreender a perspectiva do autor e assim entendermos melhor aquele salmo. Por exemplo, o Salmo 51 assume um significado mais profundo quando entendemos que Davi escreveu as palavras “cria em mim um coração limpo “após o seu pecado com Bate-Seba.

2 – Aplicação Pessoal

A segunda perspectiva é a aplicação pessoal. Praticamente cada salmo tem uma aplicação pessoal e devocional ao leitor. Os Salmos têm uma qualidade universal que fala para todos os leitores. É por isso que, durante séculos, os Salmos serviram de livro de oração para a igreja. Os Salmos sempre foram destinados a ser usados pelas pessoas como ferramentas para expressar seu coração a Deus.

3 – Aplicação a Jesus

A terceira perspectiva é a aplicação de um salmo a Jesus. Muitas pessoas não 
percebem que o livro dos Salmos é um livro de profecia e como ele é um livro extremamente profético. Por exemplo, o Salmo 22 é uma profecia chocante da crucificação de Jesus. Ao longo dos Salmos, podemos ver um testemunho da natureza e do caráter de Jesus. Uma série de Salmos, como o Salmo 2 ou o Salmo 110, são dirigidos diretamente a Jesus. Podemos desbloquear uma série de ideias sobre Jesus quando lemos um Salmo perguntando se poderia ser dirigido a Jesus.

4 – Aplicação a Israel

A quarta perspectiva é como se aplica um salmo a Israel. Vários Salmos contém declarações proféticas que descrevem a história de Israel, suas aflições e sua salvação. Quando olhamos atentamente para os Salmos achamos que eles são resumos das mesmas previsões que os profetas fizeram em relação a Israel. Além disso, os Salmos frequentemente usam as aflições e livramentos de Davi como uma imagem profética das aflições e libertação de Israel

Lendo os Salmos

Parte da majestade dos Salmos é que um único salmo – e às vezes um único verso – pode conter múltiplas perspectivas. É por isso que é um erro ler um salmo com apenas uma perspectiva em mente. Temos que aplicar múltiplas lentes para cada salmo, então não sentiremos falta da beleza que cada salmo tem para oferecer.

Outro erro que muitas vezes cometemos é tratar a linguagem dos Salmos como inteiramente alegórica. De acordo com Atos 2:30, Davi era um profeta, o que significa que muitos de seus Salmos são declarações proféticas. Davi não era apenas profético nos Salmos que escreveu, ele também era profético nos Salmos que ele montou. Por exemplo, o Salmo 22 pode parecer linguagem alegórica para um homem que está sofrendo tremendamente, mas quando é aplicado à crucificação de Jesus torna-se chocantemente literal. Muito da linguagem profética dos Salmos é mais literal do que imaginamos.

O Salmo 18 nos dá um exemplo de como uma pequena passagem pode conter todas as 4 perspectivas:

6 Na minha aflição clamei ao Senhor;
gritei por socorro ao meu Deus.
Do seu templo ele ouviu a minha voz;
meu grito chegou à sua presença,
 aos seus ouvidos.

7 A terra tremeu e agitou-se,
 e os fundamentos dos montes se abalaram;
estremeceram porque ele se irou.
8 Das suas narinas subiu fumaça;
da sua boca saíram brasas vivas
 e fogo consumidor.
9 Ele abriu os céus e desceu;
nuvens escuras estavam sob os seus pés.
10 Montou um querubim e voou,
 deslizando sobre as asas do vento.
11 Fez das trevas o seu esconderijo,
das escuras nuvens, cheias de água,
o abrigo que o envolvia.
12 Com o fulgor da sua presença
 as nuvens se desfizeram em granizo e raios,
13 quando dos céus trovejou o Senhor,
 e ressoou a voz do Altíssimo.
14 Atirou suas flechas e dispersou meus inimigos,
 com seus raios os derrotou.
15 O fundo do mar apareceu,
 e os fundamentos da terra foram expostos
pela tua repreensão, ó Senhor,
 com o forte sopro das tuas narinas.

Vamos aplicar cada perspectiva a esta breve passagem:

  • Primeiro(aplicação ao autor), o Salmo 18 contém o clamor de Davi para a liberta-lo do perigo e sua confiança na resposta do Senhor à sua voz.
  • Em segundo lugar (aplicação pessoal),o Salmo 18 nos dá confiança de que o Senhor ouve nossos gritos de angústia e que nossos gritos movem-no para nos responder.
  • Em terceiro lugar (aplicação a Jesus), o Salmo 18 fornece duas imagens proféticas de Jesus. O primeiro é o choro de Jesus ao Pai em Seu sofrimento. O segundo é a previsão de Jesus vindo para julgar. Porque Jesus é aquele que executará o julgamento pelo Pai, e esta previsão dos julgamentos do Senhor é uma previsão da atividade de Jesus em Sua segunda vinda.
  • Em quarto lugar (aplicação a Israel), o Salmo 18 fornece uma perspectiva da crise de Israel no fim dos tempos quando ela estará em profunda angústia, invocará o Senhor e Ele a responderá. Os profetas nos dizem que a crise de Israel apressará o retorno de Jesus e o julgamento de Deus às nações.

Não somente esta passagem tem as quatro perspectivas mas também no verso 6 isoladamente podemos aplicar cada perspectiva. É especialmente importante incluirmos a perspectiva profética quando lemos os Salmos pra que os encaremos como uma linguagem literal e não sejamos tentados a tratá-los alegoricamente. O Senhor respondeu ao grito de Davi quando ele escreveu este salmo, mas os detalhes que Davi registrou não são apenas linguagem exagerada, são detalhes de uma libertação futura muito maior do que a sua própria.

Tudo isso faz parte da glória dos Salmos. Esse livro talvez seja o mais singular livro da Bíblia que nos oferece muito mais em sua leitura do que aparenta à primeira vista.

 

Traduzido de

How to Read the Psalms
samuelwhitefield.com

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